032 – O processo

Bem, ainda sem escâner e “cheio de falta de tempo“, resolvi responder por lote uma pergunta que frequentemente algumas pessoas me fazem por email: como eu trabalho, como é meu processo. Que programas uso e como faço ou fiz “aquele efeito“ e tals.

Primeiro, o processo:
De acordo com o briefing ou necessidades do trabalho, eu começo com uma pesquisa no google, livros, dicionário, embalagens de produtos, etc. Claro! isso depende do tipo de trabalho. Uma ilustração para livro didático requer uma pesquisa diferente da que faço para uma ilustração hiperrealista para embalagem, por exemplo. A criação de um personagem requer um tipo de abordagem e desenvolvimento bem diferente de tudo isso.
A pesquisa serve para criar repertório, não para “chupar“ estilos e elementos: como podem ser os móveis numa cena? além dos que eu conheço, que tipos de roupa, veículos, móveis, plantas, etc. poderei desenhar? como chocolate derretido pode ou foi representado por outros ilustradores? Como se costuma representar tal fruta nas embalagens?

Depois disso, passo a encher folhas de papel com ideias soltas [ou quase], num brain storming visual, vou colocando as imagens que me vem à mente. Daí, escolho as que mais me agradaram ou que mais agradariam ao cliente final [dependendo do trabalho] e passo a elaborá-lo um pouco mais, desdobrando as possibilidades de design, comunicação e técnica.

Aprovados os alicerces, passo a execução em si.

Uso geralmente lápis, borracha, papel comum; aquarela e papel Winsor e Newton; canetas hidrográficas e guache. No plano digital uso o Photoshop e Illustrator na maioria das vezes. Gosto muito do Painter, mas sinceramente não me sinto seguro com ele quando tenho que fazer algum trabalho com prazo. Acho que é apenas um bloqueio, e como não dá pra brincar com os prazos, acabo fazendo apenas as coisa mais pessoas com o Painter. Um dia pretendo usar o Painter full.

Sobre efeitos:
Tenho um pé atrás sobre quando alguém quer saber que filtro, que efeito eu usei. Eu encaro qualquer software como ferramenta, então, eu procuro usar os recursos do modo mais básico possível. Ou seja, usarei uma pincelada para esfumar uma área em vez de tentar aplicar um filtro, rabiscarei um parte do desenho, mas evitarei criar um pincel com padrão de rabisco. Não que eu ache isso errado, mas, para mim, muitas vezes, deixa uma “cara de computador“ no trabalho.

Vejo sempre alunos meus que ficam maravilhados e loucos para comprar/usar uma tablet. Eles esquecem que com uma tablet na mão,  terão as mesmas dificuldades que teriam com um lápis, caso não estudem desenho de forma regular. E some-se à dificuldade de usar um instrumento que não se está costumado, o modo totalmente diferente do padrão de escrever/desenhar sem olhar para o ponto onde o instrumento toca a superfície marcada, a falta da aderência.

Bem, é isso.

Agora tenho um link a apontar quando me fizerem esta pergunta.

Amplexo.

Minha filosofia é: use o computador de modo que ele possa ser usado sem atrapalhar o processo, sem interferir de modo negativo no resultado.

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3 respostas em “032 – O processo

  1. Fala Rivaldo! Rapaz, que aula. Muito boas as dicas. Cara eu quase que sigo o mesmo processo que você faz no photo. Eu prefiro desenhar no papel, mas cor só consigo de maneira digital, deve ser bloqueio com tintas reais, rsrs. Eu vou lançando tanta coisa no desenho. Entre cores, pincéis personalizados, e também efeitos e filtros. Tem uns que duplico camada, mudo o modo e sobreponho. Uma bagunça, mas que completa o desenho e o deixa do jeito que imaginei colorido. Há algum tempo adquiri a tablet. Demorou um pouquinho para habituar. Comecei assim: Primeiro usava como usava o mouse para colorir, ou seja, sem os efeitos de pressão. Com o tempo eu mudei para a pressão. O resultado é outro e permite muita variação. Mas para domina-la, realmente tem de saber como desenhar, eu mesmo não arrisco desenhos 100% digitais.

    Abraços

  2. Fiquei feliz com a informação sobre tabelt Rivaldo! Eu sou alguém que realmente precisava saber disso, pois não tive oportunidade de conhecer e testar uma tablet ainda e eu já estava desconfiado da necessidade de see acostumar e da aderência.
    No meu caso, já fiz desenhos somente usando o mouse e até que me acostumei bem com isso. O resultado até ficava legal, mas as cores eram muito uniformes e demooooora. Além disso não dá pra ficar prevendo os traços definitivos fazendo aqueles rascunhos antes.
    Mas ainda me resta uma dúvida sobre o tablet: existe algum “efeito de pressão” imitador da caneta ou lápis nele? Se tiver, é possível desativar isto? É que eu acho que dá pra substituir a pressão do tablet pelos tons e espessuras num software como o Photoshop através da ferramenta pincel. O tablet funciona no photoshop, certo?
    No meu caso, espero poder me acostumar com uma tablet para que um dia eu possa usar isto para fazer animações com rapidez.
    Você não me conhece, mas eu também sou da tribo de desenhistas. Sou amador ainda…
    Valeu mesmo pelo post Rivaldo!

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